Nas últimas duas
décadas, assistimos a uma evolução significativa das novas tecnologias que
vieram mudar a forma como estudamos, trabalhamos, pensamos e vivemos. A
última geração de alunos que temos nas nossas escolas pertence aos "Nativos
digitais", termo que Prensky (2001) utiliza para designar quem cresce
a manusear as novas tecnologias em oposição aos "migantes digitais"
que têm de se adaptar e aprender a usá-las. Passamos de uma cultura do impresso
para a imagem e o audiovisual, do teclado ao táctil, da Web 1.0 à Web 2.0
"que surge trazendo uma mudança na concepção do utilizador da
informação" (Furtado, 2009: 136).
É
inegável que a Web 2.0 permite-nos novos modos de trabalhar na Internet
que nos levam a repensar os serviços que as Bibliotecas Escolares devem prestar
e oferecer aos seus utilizadores. Maness (2006) preconiza que uma
Biblioteca 2.0 deve ter quatro elementos essenciais: primeiro, dever estar
centrada nos utilizadores e estes devem participar na criação de conteúdos e
serviços, não havendo barreiras entre o professor bibliotecário e os
utilizadores; em segundo lugar, a biblioteca deve apresentar nas suas coleções
conteúdos multimédia que permitam experiências nesta área; em terceiro, a
biblioteca deve tornar-se inovadora e não só mudar à medida que
altera as comunidades que serve, mas deve ainda permitir que os utilizadores
alterem a biblioteca interagindo com ela; por último, deve estar presente na
Web criando redes diversificadas (entre bibliotecários e utilizadores:
assíncronas (wikis, blogs) ou síncrona (IM)).
As
nossas bibliotecas escolares têm vindo a sofrer, a nível de organização
interna, melhorias significativas que estão agora a começar a dar frutos. No
entanto a mudança é lenta em comparação com a velocidade em que o mundo
tecnológico evolui. Estamos a dar os primeiros passos na inclusão diária das
tecnologias da web 2.0 no nosso dia-a-dia. Ainda se verifica alguma resistência,
por parte de algumas pessoas, na implementação de práticas interativas e
colaborativas, que devem ser ultrapassadas. Existem inúmeras e diversas
ferramentas Web que estão disponíveis, hoje, de forma gratuita, que permitem um
ensino mais inovador, atrativo e motivador, onde os alunos interagem de forma
autônoma e dinâmica (Wikis, podcast,
blog, Taggins,…).
A Biblioteca Escolar
onde trabalho tem vindo a apostar no desenvolvimento das tecnologias,
reforçando os postos de acesso à internet, reformulando o seu blogue e utilizando
as redes sociais para divulgar, informar sobre atividades, trabalhos de alunos e
promover o fundo documental. Na escala apresentada por Merlo Veja (2007) sobre
a relação da BE com as tecnologias e referenciada por Furtado (2009: 138)
classificaria a minha BE, neste momento, como ativa (utiliza-se as tecnologias
para prestação de serviços, mas de forma unidirecional). Penso que ainda há
muito a fazer para transformá-la em biblioteca interativa e chegar à plena
participação dos seus utilizadores. por isso, compete-nos a nós, PB, como mediadores, elevar
os níveis de literacia, promover o espírito colaborativo, de partilha e o uso
das ferramentas Web 2.0.
Referenciação Bibliográfica:
- Furtado, Cassia Cordeiro, (2009)Bibliotecas Escolares e Web 2.0: revisão sobre Brasil e Portugal, in Em Questão, Porto Alegre, v.15, n.2, p 135-150, jul/Dez, 2009.
- Maness, Jack M, (2006), Teoria da Biblioteca 2.0: Web 2.0 e a suas implicações para as Bibliotecas escolares, (Library 2.0 theory:Web 2.0 and its implications for librairies), Tradução de Nascimento, Geysa Câmara de Lima, in Inf&Soc.Est., João Pessoa, v17, n.1, p.43-51, jan/abr, 2007.
- Merlo Veja, J.,(2007) Las tecnologias de la participacion en las Bibliotecas. in Educacion y Biblioteca, Madrid, v19, n.16, p.63-68, 2007.
- Prensky, Marc, (2001), Digital Natives, Digital immigrants: Part I, in On the Horizon - MCB University Press, Vol.9, nº5, october 2001.
Referenciação Bibliográfica:
- Furtado, Cassia Cordeiro, (2009)Bibliotecas Escolares e Web 2.0: revisão sobre Brasil e Portugal, in Em Questão, Porto Alegre, v.15, n.2, p 135-150, jul/Dez, 2009.
- Maness, Jack M, (2006), Teoria da Biblioteca 2.0: Web 2.0 e a suas implicações para as Bibliotecas escolares, (Library 2.0 theory:Web 2.0 and its implications for librairies), Tradução de Nascimento, Geysa Câmara de Lima, in Inf&Soc.Est., João Pessoa, v17, n.1, p.43-51, jan/abr, 2007.
- Merlo Veja, J.,(2007) Las tecnologias de la participacion en las Bibliotecas. in Educacion y Biblioteca, Madrid, v19, n.16, p.63-68, 2007.
- Prensky, Marc, (2001), Digital Natives, Digital immigrants: Part I, in On the Horizon - MCB University Press, Vol.9, nº5, october 2001.
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