Criação de um ambiente pessoal de aprendizagem

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domingo, 22 de fevereiro de 2015

AS IMPLICAÇÕES DA WEB 2.0 PARA AS BIBLIOTECAS ESCOLARES (REFLEXÃO)

   Nas últimas duas décadas, assistimos a uma evolução significativa das novas tecnologias que vieram mudar a forma como estudamos, trabalhamos, pensamos  e vivemos. A última geração de alunos que temos nas nossas escolas pertence aos "Nativos digitais", termo que Prensky (2001) utiliza para designar quem cresce a manusear as novas tecnologias em oposição aos "migantes digitais" que têm de se adaptar e aprender a usá-las. Passamos de uma cultura do impresso para a imagem e o audiovisual, do teclado ao táctil, da Web 1.0 à Web 2.0 "que surge trazendo uma mudança na concepção do utilizador da informação" (Furtado, 2009: 136). 
     É inegável  que a Web 2.0 permite-nos novos modos de trabalhar na Internet que nos levam a repensar os serviços que as Bibliotecas Escolares devem prestar e oferecer aos seus utilizadores. Maness (2006)  preconiza  que uma Biblioteca 2.0 deve ter quatro elementos essenciais: primeiro, dever estar centrada nos utilizadores e estes devem participar na criação de conteúdos e serviços, não havendo barreiras entre o professor bibliotecário e os utilizadores; em segundo lugar, a biblioteca deve apresentar nas suas coleções conteúdos multimédia que permitam experiências nesta área; em terceiro, a biblioteca  deve tornar-se inovadora e  não só mudar à medida que altera as comunidades que serve, mas deve ainda permitir que os utilizadores alterem a biblioteca interagindo com ela; por último, deve estar presente na Web criando redes diversificadas (entre bibliotecários e utilizadores: assíncronas (wikis, blogs) ou síncrona (IM)).
     As nossas bibliotecas escolares têm vindo a sofrer, a nível de organização interna, melhorias significativas que estão agora a começar a dar frutos. No entanto a mudança é lenta em comparação com a velocidade em que o mundo tecnológico evolui. Estamos a dar os primeiros passos na inclusão diária das tecnologias da web 2.0 no nosso dia-a-dia. Ainda se verifica alguma resistência, por parte de algumas pessoas, na implementação de práticas interativas e colaborativas, que devem ser ultrapassadas. Existem inúmeras e diversas ferramentas Web que estão disponíveis, hoje, de forma gratuita, que permitem um ensino mais inovador, atrativo e motivador, onde os alunos interagem de forma autônoma e dinâmica (Wikis, podcast, blog, Taggins,…).
    A Biblioteca Escolar onde trabalho tem vindo a apostar no desenvolvimento das tecnologias, reforçando os postos de acesso à internet, reformulando o seu blogue e utilizando as redes sociais para divulgar, informar sobre atividades, trabalhos de alunos e promover o fundo documental. Na escala apresentada por Merlo Veja (2007) sobre a relação da BE com as tecnologias e referenciada por Furtado (2009: 138) classificaria a minha BE, neste momento, como ativa (utiliza-se as tecnologias para prestação de serviços, mas de forma unidirecional). Penso que ainda há muito a fazer para transformá-la em biblioteca interativa e chegar à plena participação dos seus utilizadores. por isso, compete-nos a nós, PB, como mediadores, elevar os níveis de literacia, promover o espírito colaborativo, de partilha e o uso das ferramentas Web 2.0.

Referenciação Bibliográfica:

- Furtado, Cassia Cordeiro, (2009)Bibliotecas Escolares e Web 2.0: revisão sobre Brasil e Portugal, in Em Questão, Porto Alegre, v.15, n.2, p 135-150, jul/Dez, 2009.

- Maness, Jack M, (2006), Teoria da Biblioteca 2.0: Web 2.0 e a suas implicações para as Bibliotecas escolares, (Library 2.0 theory:Web 2.0 and its implications for librairies), Tradução de Nascimento,  Geysa Câmara de Lima, in Inf&Soc.Est., João Pessoa, v17, n.1, p.43-51, jan/abr, 2007.

- Merlo Veja, J.,(2007) Las tecnologias de la participacion en las Bibliotecas. in Educacion y Biblioteca, Madrid, v19, n.16, p.63-68, 2007.

- Prensky, Marc, (2001), Digital Natives, Digital immigrants: Part I, in On the Horizon - MCB University Press, Vol.9, nº5, october 2001.

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