A transversalidade da literacia digital ao serviço das outras literacias
Breve Reflexão sobre as metas de aprendizagem de TIC:
“Se é
verdade que os alunos aparentam ter habilidades naturais para usar as
tecnologias, a realidade tem demonstrado que, embora compreendam facilmente o
valor lúdico e comunicativo dos instrumentos de que hoje disfrutam, necessitam
de ser ensinados sobre a forma como podem utilizar essas ferramentas na
aprendizagem e exercício do pensamento crítico e construção do conhecimento”
(Aprender com a Biblioteca Escolar: enquadramento e conceção, 2012, p.
3).
É inconcebível que, no século XXI,
denominado como a era das novas tecnologias, os alunos das escolas portuguesas
não sejam preparados para serem detentores de competências efetivas em
tecnologias da Informação e Comunicação (TIC). Compete às escolas ensiná-los a
pesquisar, selecionar, utilizar informação tanto quanto comunicar, criar e
partilhar a mesma. Se não forem preparados para tal, corre-se o risco de não
integração social e profissional.
As metas de TIC que, segundo Costa (2010), surgem na sequência do projeto “Metas de
Aprendizagem” do Ministério da Educação, pretendem, “produzir um documento integrador da diversidade de normativos de
natureza curricular atualmente existentes, resultantes de reformas e
intervenções diversas nos últimos anos.” Estas constituem um
documento orientador que visa preencher a lacuna do Currículo nacional no que
diz respeito à utilização das TIC e, desta forma, ajudar todos os
intervenientes no processo de ensino-aprendizagem a rentabilizar da melhor
forma conteúdos, recursos e ferramentas para desenvolver nos discentes as
competências essenciais à sua plena integração na sociedade atual, isto ao
longo do seu percurso escolar. As metas apontam para 4 áreas de aprendizagem
essenciais que são transversais a todas as disciplinas: Informação,
comunicação, produção e segurança.
Por sua vez o referencial RBE (2012) “Aprender com a biblioteca escolar”, é,
na verdade, um documento de grande utilidade para todos os docentes, dando ele
também pistas e sugestões de trabalho em articulação com a Biblioteca Escolar
para o desenvolvimento do currículo e das competências transversais que constituem
as TIC. Com este referencial, as bibliotecas escolares passam aqui a ter um
papel que classificaria de determinante, essencial, aglutinador e articulador
dos currículos quando, como afirma Felizardo, assumem o papel de gestores destes
sendo o mesmo mais ativo e dinâmico no processo de inovação curricular com as
TIC. O referencial aponta para o desenvolvimento de 3 competências /áreas:
Literacia da Leitura, Literacia dos Média e Literatura da Informação, onde “ A literacia digital é abordada …numa perspetiva
de transversalidade, disseminada pelas três áreas, refletindo a presença das
tecnologias, ferramentas e ambientes digitais em todos os contextos e domínios,
formais e informais de aprendizagem” (p. 10-11).
Em ambos os documentos (Metas de
aprendizagem e Referencial) são apresentadas estratégias de operacionalização, organizadas
por anos de escolaridade que são
propostas para a consecução das metas a atingir e que poderão ser adaptadas,
muito facilmente por cada docente, em
função das suas necessidades.
Como operacionalizar o efetivo uso destes
documentos na nossa prática profissional?
É aqui que a Biblioteca Escolar passa a ter
um papel fulcral, pois cabe ao professor Bibliotecário e à sua equipa serem o “elo”
de ligação na consecução destes dois documentos ao elaborarem estratégias para:
- Divulgar o
referencial e as metas junto dos professores, através dos Departamentos, e
insistir para que haja colaboração e envolvimento de todos. Pode ser através de
uma apresentação dos documentos e das suas mais-valias. (do gênero do ppt
apresentado por Costa – Webinar 2011, Metas de Aprendizagem na Área das TIC.)
- Implementar, em
Conselhos de Turma e em parceria com a BE, um “plano de ação” (que poderá
seguir os mesmos moldes daquele que rege o Projeto da Educação para a Saúde e anteriormente
o da transversalidade da Língua Portuguesa) onde cada disciplina deve dedicar um
x de tempos letivos ao desenvolvimento e avaliação de competência(s) em TIC, em parceria com a BE, e que sejam adequada(s) à sua área e aos conteúdos a lecionar (por exemplo: trabalho colaborativo e de
pesquisa com a BE; utilização de ferramentas Web 2.0; Utilização de recursos
digitais da BE; Criação de trabalhos e materiais pelos alunos em colaboração com a BE; apresentação de
métodos e técnicas de trabalho com novas tecnologias pela BE, participação em projetos/concursos de âmbito nacional…)
- Envolver a Direção
no apoio efetivo (financeiro e administrativo) para a consecução de um quadro
de referência através da elaboração de um projeto/Plano interno de melhoria das
aprendizagens que se reja pelos dois documentos.
Referências
bibliográficas:
- COSTA et al . I Encontro Internacional de TIC e Educação- Metas de Aprendizagem na área das TIC: Aprender com Tecnologias. Lisboa. Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. 2010 (p. 931-936)
- COSTA, Fernando
et al. Webinar 2011 Metas de Aprendizagem na área das
TIC. in DGIDC-ME .12 de janeiro 2011.
- FELIZARDO, Helena. As metas de aprendizagem na área das TIC no contexto de
desenvolvimento das literacias e das competências transversais.
- PORTUGAL. Ministério de
Educação e Ciência. Gabinete da Rede Bibliotecas Escolares: Aprender com a biblioteca
escolar. Lisboa: RBE. 2012.
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