Criação de um ambiente pessoal de aprendizagem

Criação de um ambiente pessoal de aprendizagem

sábado, 11 de abril de 2015

A Biblioteca escolar e a dinâmica do trabalho colaborativo e da articulação curricular


       A transversalidade da literacia digital ao serviço das outras literacias

       Breve Reflexão sobre as metas de aprendizagem de TIC:


      “Se é verdade que os alunos aparentam ter habilidades naturais para usar as tecnologias, a realidade tem demonstrado que, embora compreendam facilmente o valor lúdico e comunicativo dos instrumentos de que hoje disfrutam, necessitam de ser ensinados sobre a forma como podem utilizar essas ferramentas na aprendizagem e exercício do pensamento crítico e construção do conhecimento” (Aprender com a Biblioteca Escolar: enquadramento e conceção, 2012, p. 3).

     É inconcebível que, no século XXI, denominado como a era das novas tecnologias, os alunos das escolas portuguesas não sejam preparados para serem detentores de competências efetivas em tecnologias da Informação e Comunicação (TIC). Compete às escolas ensiná-los a pesquisar, selecionar, utilizar informação tanto quanto comunicar, criar e partilhar a mesma. Se não forem preparados para tal, corre-se o risco de não integração social e profissional.

     As metas de TIC  que, segundo Costa (2010),  surgem na sequência do projeto “Metas de Aprendizagem” do Ministério da Educação, pretendem, “produzir um documento integrador da diversidade de normativos de natureza curricular atualmente existentes, resultantes de reformas e intervenções diversas nos últimos anos.” Estas constituem um documento orientador que visa preencher a lacuna do Currículo nacional no que diz respeito à utilização das TIC e, desta forma, ajudar todos os intervenientes no processo de ensino-aprendizagem a rentabilizar da melhor forma conteúdos, recursos e ferramentas para desenvolver nos discentes as competências essenciais à sua plena integração na sociedade atual, isto ao longo do seu percurso escolar. As metas apontam para 4 áreas de aprendizagem essenciais que são transversais a todas as disciplinas: Informação, comunicação, produção e segurança.

     Por sua vez o referencial RBE (2012) “Aprender com a biblioteca escolar”, é, na verdade, um documento de grande utilidade para todos os docentes, dando ele também pistas e sugestões de trabalho em articulação com a Biblioteca Escolar para o desenvolvimento do currículo e das competências transversais que constituem as TIC. Com este referencial, as bibliotecas escolares passam aqui a ter um papel que classificaria de determinante, essencial, aglutinador e articulador dos currículos quando, como afirma Felizardo, assumem o papel de gestores destes sendo o mesmo mais ativo e dinâmico no processo de inovação curricular com as TIC. O referencial aponta para o desenvolvimento de 3 competências /áreas: Literacia da Leitura, Literacia dos Média e Literatura da Informação, onde “ A  literacia digital é abordada …numa perspetiva de transversalidade, disseminada pelas três áreas, refletindo a presença das tecnologias, ferramentas e ambientes digitais em todos os contextos e domínios, formais e informais de aprendizagem” (p. 10-11).

     Em ambos os documentos (Metas de aprendizagem e Referencial) são apresentadas estratégias  de operacionalização, organizadas por anos de escolaridade que  são propostas para a consecução das metas a atingir e que poderão ser adaptadas, muito facilmente por cada docente, em função das suas necessidades.

    Como operacionalizar o efetivo uso destes documentos na nossa prática profissional?
    É aqui que a Biblioteca Escolar passa a ter um papel fulcral, pois cabe ao professor Bibliotecário e à sua equipa serem o “elo” de ligação na consecução destes dois documentos ao elaborarem estratégias para:
   - Divulgar o referencial e as metas junto dos professores, através dos Departamentos, e insistir para que haja colaboração e envolvimento de todos. Pode ser através de uma apresentação dos documentos e das suas mais-valias. (do gênero do ppt apresentado por Costa – Webinar 2011, Metas de Aprendizagem na Área das TIC.)
   - Implementar, em Conselhos de Turma e em parceria com a BE, um “plano de ação” (que poderá seguir os mesmos moldes daquele que rege o Projeto da Educação para a Saúde e anteriormente o da transversalidade da Língua Portuguesa) onde cada disciplina deve dedicar um x de tempos letivos ao desenvolvimento e avaliação de competência(s) em TIC, em parceria com a BE, e que sejam adequada(s) à sua área e aos conteúdos a lecionar (por exemplo: trabalho colaborativo e de pesquisa com a BE; utilização de ferramentas Web 2.0; Utilização de recursos digitais da BE; Criação de trabalhos e materiais pelos alunos em colaboração com a BE; apresentação de métodos e técnicas de trabalho com novas tecnologias pela BE, participação em projetos/concursos de âmbito nacional…)
   - Envolver a Direção no apoio efetivo (financeiro e administrativo) para a consecução de um quadro de referência através da elaboração de um projeto/Plano interno de melhoria das aprendizagens que se reja pelos dois documentos.

Referências bibliográficas:

- COSTA et al . I Encontro Internacional de TIC e Educação- Metas de Aprendizagem na área das TIC: Aprender com Tecnologias. Lisboa. Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. 2010 (p. 931-936)

- COSTA, Fernando et al. Webinar 2011 Metas de Aprendizagem na área das TIC. in DGIDC-ME .12 de janeiro 2011.

- FELIZARDO, Helena. As metas de aprendizagem na área das TIC no contexto de desenvolvimento das literacias e das competências transversais.
  
- PORTUGAL. Ministério de Educação e Ciência. Gabinete da Rede Bibliotecas Escolares: Aprender com a biblioteca escolar. Lisboa: RBE. 2012.

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